quinta-feira, 16 de novembro de 2017

SÃO JOÃO E CORDEL NO RS



São João de Cachoeirinha 

Um Encontro entre o Sul e o Nordeste

No último dia 14/11, estive no município de Cachoeirinha-RS, na companhia do ilustrador Jô Oliveira, participando do lançamento da programação prévia do São João de Cachoeirinha - Um Encontro entre o Sul e o Nordeste, que acontecerá em junho de 2018. Nossa visita atendeu convite da jornalista Sônia Zanchetta, coordenadora da Feira do Livro de Porto Alegre.
O evento ocorreu na Escola Portugal, com a participação de alunos e professores que haviam lido obras dos autores previamente; da secretária de Educação, Rosinha Lippert; do secretário de Assistência Social, Cidadania e Habitação, Francisco Belarmino Dias; e de representantes do Centro de Tradições Nordestinas de Cachoeirinha.
O evento homenageará, dentre outros, o centenário de morte do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros, falecido em 04 de março de 1918.
A equipe de produção do evento esteve representada por João Batista Fraga.


Arievaldo Vianna





Com Sônia Zanchetta, Jô Oliveira e o presidente da Câmara do Livro
de Porto Alegre-RS, Marco Cena.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

PÉROLAS AOS PORCOS


MINHA VÃ FILOSOFIA
(Do Livro de Cânticos de Frei Mané Mago de Jurema)

Agnus Dei,
Qui tollis peccata mundi,
Miserere nobis.

Canto I

Não sinto necessidade
De estudar filosofia;
Não gosto de frases feitas
E doutrina me entedia...
Minhas frases são pensadas
Medidas e calculadas
Nas lutas do dia a dia.

Se meu coração batia
Do lado que relampeia
Não fujo de trovoada
E nem temo cara feia
Não mudo a minha conduta
Eu nunca fugi da luta
Pois não sou cabra de peia.

Varo deserto de areia
Ao pino do meio dia
E enfrento a besta-fera
Que inventou a tirania
Segundo vovó contava:
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

Eu não me meto em porfia
Com um sujeito ignaro
Um “papangu de quaresma”
Conheço só pelo faro
Sua burrice me dói:
Chama INQUISIDOR de “herói”
E vota no Bolsonaro.



CANTO II (Pérolas aos porcos)


Atireis non margaritas ante porcos

Um quilo de tempo é caro
E a nossa luta é urgente
Não há como convencer
Um retardado ou demente
Para evitar contratempo
Eu nunca perco o meu tempo
Com esse tipo de gente.

Não digo que gelo é quente
E nem prego no deserto
Não jogo pérolas aos porcos
Nem durmo de peito aberto;
Conheço bem os seus vultos
Dessa manada de estultos
Não quero passar nem perto.

De uma coisa estou certo
Já sei metade da missa
Falácia não me convence
A mídia não me enfeitiça
Tenho a minha visão crítica
Sei bem o que é política
Sei como age a Justiça.

Partindo dessa premissa
Não aceito discussão
Se alguém concorda comigo
Dê-me um aperto de mão;
Se não, meu bom companheiro,
Vá pregar noutro terreiro
Não venha propor questão.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

TORQUATO NETO

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, 9 de novembro de 1944 — 
Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972 - Caricatura de Jotta Pinheiro)

HÁ 45 ANOS, PARTIA TORQUATO NETO, UM DOS IDEALIZADORES DA TROPICÁLIA

Um poeta desfolha a bandeira
E a manhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira
Num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira
Que o Jornal do Brasil anuncia

Ê, bumba-yê-yê-boi
Ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê
É a mesma dança, meu boi

(Geléia Geral – Letra de Torquato Neto
musicada por Gilberto Gil)





Arievaldo Vianna, com Ilza Bezerra e Josefina Ferreira Gomes, 
na estátua de Torquato Neto, no Centro de Artesanato de Teresina-PI.

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina PI, 1944 - Rio de Janeiro RJ, 1972). Cursou Jornalismo no Rio de Janeiro, por volta de 1966, mas não chegou a concluir a faculdade. Nos anos seguintes compôs letras musicadas por Gilberto Gil  ("Geléia Geral", "Louvação"), Caetano Veloso ("Deus Vos Salve a Casa Santa", "Ai de Mim", "Copacabana", "Mamãe, Coragem") e Edu Lobo ("Lua Nova", "Pra Dizer Adeus"). Entre 1970 e 1972 atuou nos filmes Nosferatu no Brasil e A Múmia Volta a Atacar, de Ivan Cardoso, e Helô e Dirce, de Luiz Otávio Pimentel. No período também criou e redigiu a coluna Geléia Geral no jornal carioca Última Hora. Em 1973 ocorreu a publicação póstuma de seu livro de poesia Os Últimos Dias de Paupéria, organizado por Ana Maria S. de Coraújo Duarte e Waly Salomão. Três anos depois, foram incluídos alguns de seus poemas na antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda em 1976. Em 1997 foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe Nothing the Sun Could Not Explain, organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher. Torquato Neto foi um dos compositores mais inovadores da canção popular dos anos de 1970. Fonte: www.itaucultural.org.br
Veja também:  http://www.torquatoneto.com.br/

* * *

“Seu suicídio, um dia depois de seu 28º aniversário, provocou espanto. Torquato voltou de uma festa com a mulher — que foi dormir —, trancou-se no banheiro e ligou o gás, sendo encontrado morto no dia seguinte pela empregada. Deixou um bilhete de despedida que dizia: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar". Thiago era o filho de três anos de idade.”
(Fonte: https://jornalggn.com.br/noticia/torquato-neto-70-anos-de-nascimento-e-42-de-sua-morte)


Scarlet Moon  e Torquato Neto - no filme  Nosferatu no Brasil, de Ivan Cardoso, 1971


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DE NOVO NO RIO GRANDE




ARIEVALDO e JÔ OLIVEIRA 
na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre-RS


No período de 13 a 15 de novembro, Arievaldo Vianna e o ilustrador pernambucano Jô Oliveira participarão de várias atividades da programação da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorrerá no período de 1º a 19 de novembro, como autores enviados pela Editora IMEPH. Além das atividades programadas no próprio espaço da Feira, que incluem visita à Escola Portugal (palestra para turmas do EJA) e no projeto Autor no Palco, no Teatro Carlos Urbim, a dupla foi convidada pela Associação Centro de Tradições Nordestinas e a Secretaria Municipal de Educação da cidade de Cachoeirinha (que fica a 17 quilômetros de Porto Alegre) para fazer uma palestra sobre cordel no bairro Granja Esperança (onde está radicada a maior parte da colônia nordestina).





Coquetel de lançamento de CAUSOS DE ROMUALDO EM CORDEL 
(Adaptação da obra de Simões Lopes Neto) na Editora CORAG


Visita Escolar, no município de Barra do Ribeiro-RS


Estátuas de Drummond e Mário Quintana


Entrevista na TV


Palestra de Arievaldo e Jô Oliveira

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

LANÇAMENTO



Encontro com a Consciência, de Arievaldo Viana,
é lançado no Bazar das Letras



Arievaldo Viana

O livro Encontro com a Consciência, de Arievaldo Viana, será lançado na próxima terça-feira, 31 de outubro, no projeto Bazar das Letras. A iniciativa é do Sesc, braço Social do Sistema Fecomércio-CE. O evento é gratuito e acontece no Teatro Sesc Emiliano Queiroz,  a partir das 19 horas, com mediação de Rouxinol do Rinaré.

“O Livro Encontro com a Consciência tem uma narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Viana”, explica o material de divulgação.

O Bazar das Letras tem como intuito fomentar a produção da literatura cearense, além de proporcionar a interação do escritor com o público. O projeto acontece durante todo o ano, nas unidades do Sesc, sendo um importante espaço para lançamento de novos escritores e novos títulos, valorizando assim a cultura do estado.

Serviço
Bazar das Letras
Lançamento do Livro Encontro com a Consciência
Onde: Teatro Sesc Emiliano Queiroz (avenida Duque de  Caxias, 1701 – Centro
Quando: 31 de outubro, às 19h
Outras informações: (85) 34529087
Entrada gratuita.

Fonte: http://blog.opovo.com.br/leiturasdabel/encontro-com-a-consciencia-de-arievaldo-viana-e-lancado-no-sesc/



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

CARTA DE MAÉRCIO SIQUEIRA



O escritor, poeta e xilogravador Maércio Siqueira envia-nos, direto do Cratinho de Açúcar, um texto que escreveu sobre o livro SERTÃO EM DESENCANTO. Fiquei feliz e lisonjeado com as suas observações sobre uma obra que, a princípio, imaginei que fosse interessar apenas aos meus familiares, já que se trata de um relato vinculado à genealogia do meu clã familiar. 
Xilógrafo de reconhecido mérito e talento, Maércio foi escolhido para fazer a capa do II Volume de Memórias, intitulado NO TEMPO DA LAMPARINA
Pela capa magnífica e pelo texto enviado, só nos resta agradecer. Obrigado, Maércio.


A propósito do livro SERTÃO EM DESENCANTO Gênesis sertaneja – I Volume de Memórias, de Arievaldo Vianna

Máercio Siqueira

            É curioso que o autor de Sertão em Desencanto chame de Memórias a seu impressionante trabalho, quando boa parte das pessoas e dos acontecimentos de que trata o livro existiram ou aconteceram bem anteriores ao seu nascimento e alguns deles só localizados em virtude de exaustiva pesquisa. Como ter memória daquilo que não viveu? Deveria ser chamado História? Genealogia?
            Aqui está, creio eu, umas dos pontos interessantíssimos do livro. O autor segue uma feliz intuição e costura dados documentais, bibliográficos, depoimentos de familiares com suas próprias memórias. Aliás, o elã de todos os dados do livro é o próprio autor, para o qual converge, de modo descendente, o intricado sistema de acontecimentos históricos e contingências familiares.
            Não se trata de um livro escrito para salientar a pessoa do autor. Pelo contrário, ele se porta o mais discreto possível. Porém, não renuncia a sua condição de recriador de um mundo que, do contrário, estaria diluído, perdido em memórias individuais, em relatos esparsos em outros livros e documentos. É Arievaldo que traz para as próprias mãos os inúmeros fios ameaçados de se perderem no tempo e no espaço. Como, pois, juntar tudo isso, a não ser pelo princípio unificador da própria vida mental do autor? São suas lembranças, suas vivências passadas, essa memória tão cara de sua infância no sertão, que dá sentido a todo esse trabalho, tornando Arievaldo um historiador intuitivo e eficiente, e um erudito em matéria de vida e cultura sertanejas.


Xilogravura de Maércio Siqueira

            O que torna esse livro tão atraente é justamente esse alento de vida soprado sobre as figuras já desaparecidas. Na verdade, estão vivas! O autor o demonstra pela continuidade das suas raízes nos descendentes atuais. Mesmo os ocorridos do século XIX parecem estar diante de nossos sentidos, graças à paixão com que o escritor o descreve e narra. Em outras palavras, graças ao amor que dedica ao seu trabalho.
            Certamente o autor conseguiu dar a seu livro um elevado nível de objetividade, citando documentos, livros, etc. Contudo é a subjetividade de Arievaldo que se torna o sal de tudo isso. É por seus olhos que passamos a ver todos os eventos levantados. É por sua palavra que escutamos a voz daqueles que lhe falaram. É por suas mãos que abrimos a gaveta da escrivaninha da casa de seus avós e descobrimos ali o tesouro de literatura de cordel. É com seus pés que atravessamos as ruas de Quixeramobim acompanhado de sua avó Alzira, e ela nos mostrando a casa os pontos históricos da cidade. É com seus sentidos todos que vislumbramos o sertão em suas grandezas e detalhes. Por seu pesar, chegamos também a lamentar o desaparecimento daquele modo de viver, a contemplar o sertão em desencanto.
            Somos gratos ao autor por sua obra, por ter restaurado esse mundo encantado das suas lembranças.            Tratam-se, portanto de Memórias, pois são estas que condicionam a pesquisa e estruturam todas as informações adicionais que autor teve de buscar fora de suas reminiscências. Está em suas recordações a força que anima essa imenso corpo criado pela investigação e pela escrita dessas páginas preciosas.
            Pobres palavras para comentar de algo tão grande! Mas o livro fala por si mesmo e sua leitura não pode ser substituída por nenhum comentário, principalmente por este, que apenas se limitou a um enfoque bem limitado da obra.
Crato, 23/10/2017


Capa do II Volume de Memórias, que será
lançado em breve, com capa de Maércio.




domingo, 22 de outubro de 2017

XILOGRAVURAS


Xilogravuras de Arievaldo Vianna (Todos os Direitos Reservados)

Depois de uma pausa de quase três anos resolvi retomar a minha atividade como XILOGRAVADOR. Imprimi antigas matrizes e também gravei novos tacos, dentre os quais uma série sobre astros da música popular brasileira, que inclui Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Roberto Carlos, Belchior, dentre outros. As cópias, em geral, medem 32 x 22 cm. Cada cópia custa R$ 25,00 (em papel vergê) e R$ 30,00 (em papel canson importado).

Cópias menores (24 x 18cm) custam R$ 15,00. Enviamos pelo CORREIO, mediante pagamento em conta corrente BB. Garantimos a embalagem, para não haver danos ao material enviado. 


PEDIDOS: acordacordel@hotmail.com





A seguir, fotos de algumas etapas do trabalho.







Leandro Gomes de Barros (Xilo 16 x 22cm - Todos os Direitos Reservados)




Xilogravuras de Arievaldo Vianna (Todos os Direitos Reservados)